Espelhos Poéticos


Agora, sim...

E ninguém dirá o contrário

Ou dirá sem dizer

 

Brincadeiras e véus

A lançar audácia

A desejada, não sem temor

 

O vermelho céu do ocaso do calor

Excita as pálpebras que se fecham

Com medo de temer, não mais que antes

 

Eloqüência inútil do eloqüente falastrão

É isso que choques de águas que derramadas

Faz nascer o que deve vir, com pena de morrer

 

E procurando e sonhando e sentindo o simples

Tão simples que abomina o simples

Tão alto que se esconde em cavernas

 

E sons fulguram as obras de acabadas obras

Que morrem antes mesmo de nascer

Que esquarteja a coruja que tece teias

 

Ah, serenidade e intensidade

Abertura dos corpos fechados

Sexo entre a inocência e a perversidade

 

E no egoísmo do sol

Abre as mãos e estende as mãos

E estende as mãos e sente frio

 

Não mais sonhará sonho vindouro

Faz e não sabe que o fazer

Não sabe que o fazer o faz....



Escrito por Marcel às 18h33
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