Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se inicie por inventá-las.
Assim fala o destruidor do Bem e do Mal.
Assim se inicia uma guerra que não aceita a paz senão como vitória.
Assim brigam todas as virtudes pelo comando do ser, para ao final se autodestruírem.
Assim se constróe um novo corpo, um corpo de prazer e de felicidade.
Assim as mais nobres esperanças trabalham em favor do mal.
Assim crescem as raízes que permitirão que se chegue às estrelas.
Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se inicie por inventá-las.
Criar a si mesmo para se fazer forte o bastante para lutar, para entender que as rodas da causalidade só servem aos ídolos que nos transformam em seres cinzentos.
Não quero mais viver em meio às nuvens cinzas, esfumaçadas, que turvam a beleza da força. Quero o sorriso como seta que se dispara ao amor.
Descobrir a própria alma num trabalho de criação de si mesmo: eis o que a terra quer. Não sejamos tolos o suficiente para desprezar a nossa única mãe. Não sejamos tolos o suficiente para desprezar o nosso único pai: aquele que canta as mais nobres desarmonias.
Criação: eis o que quer o poeta, o artista, o vivente, o que quer rejubilar-se.
Eis o que quero
Escrito por Marcel às 00h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|