Espelhos Poéticos


Declaração

Declaro meu amor a você

Rainha das casas tomadas

Pelos ventos de um outrem

 

Faço minha mão uma muralha

A esconder de mim o mundo

A me tornar um refém

 

Declaro meu amor a você

Meiga voz de riachos claros

Sorvedouro de calor

 

Faço meu labor um dedicar

A gozar os poucos momentos

Em que posso contemplar

 

Declaro meu amor a você

Olhos brancos que faz cair

Sol a gerar grande ardor

 

Declaro meu amor a você

Que não sabe sobre o pecado

Ocaso do meu amar

 

Declaro meu amor a você

A você, mulher

Declaro, tão somente

Amor

Escrito por Marcel às 23h40
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Fluxo contido

Vem logo e me invade

Vento de saudade

Angústia, prisão

Suicídio raro

 

Suporta o fio

Que liga ao amor

Vida, longos sonhos

Casa de estrelas

 

Não sabe quem é

Medo ao revelar

Impossível passo

Caminhar de dor

 

Desejo contido

Barreira abstrata

Gostar impossível

Beleza tão rara

 

Como pode a estrela não saber dançar no firmamento tão livre?

Como pode uma linda flor não revelar o seu perfume ao espinho?

Como pode o amor conter seus meigos gestos em meio a tanta dor?

 

Descer novamente

Caminho esperado

Fazer-se entender

Fazer-se sentir

Escrito por Marcel às 23h17
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O que odeiam

Cai na calçada, do meu bolso, uma moeda

Ninguém ouve o seu som ou vê o seu brilho

Ela fica estaticamente despercebida

Implorando por ser recolhida

Por uma mão que a enxergue

 

O dia do ocidente obscurece a visão

O barulho intermitente nos causa medo

Medo de neuroses desconhecidas

De amar humanamente sóbrio

Tal solidão de alegre hábito

 

E todos passam por ela, minha...

Sorrisos de brancos hálitos

Não percebe o sabor contido

Nunca antes sentido

Despejado do meu bolso

Pela condição de viver

Sem amar o morrer

Escrito por Marcel às 14h32
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Silêncio de sonho

Sobe

Sussuro

O Silêncio

 

Silvos de nadas

Cérebros de amebas

 

Cerra que cerra o céu

Segredo que perde o véu

 

Cinto que falta à castidade

Sábio possui, odeia a bondade

 

Sorte de situação de azar

Sente flores a mudar

 

Solitário do chão

Sóbrio à emoção

 

Saco de sons

Sem mais dons

 

Silêncio

Sabe

Escrito por Marcel às 00h12
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