Espelhos Poéticos


Aristocracia

Escravos em baixa, indivíduos em alta

Se o mundo acabar, sobrarão apenas

As baratas e os aristocratas

Escrito por Marcel às 13h12
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Corpos atados

Ah, teus lábios atados ao desejo incontido
De meu corpo carente a querer teu amor
Os sorrisos descrentes de um algo diverso
Do sentir que vivemos em cada encontrar

Não poder mais fugir de sonhar com você
Com a delícia de ser somente um a pulsar
De vontade de amar e explodir de prazer
Com calor que emana do unir de nós dois


Escrito por Marcel às 08h23
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Saudade

De sentir o puro olhar
Emitir o som das palavras
De agradar teus beijos em mim
Afagar o abraço de amor

De um lindo e tão lento sorrir
A suspirar junto a sua boca
Cantando o coração nos olhos
A ver o viver sem mais dor

E quero quando te encontrar
Apenas morrer de não ser
Nada além de eterno amante
De suas carícias, dizeres

E digo na saudade
E também na presença
Somente um tão singelo
Te amo, muito e sempre...

Escrito por Marcel às 08h23
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Agora, sim...

E ninguém dirá o contrário

Ou dirá sem dizer

 

Brincadeiras e véus

A lançar audácia

A desejada, não sem temor

 

O vermelho céu do ocaso do calor

Excita as pálpebras que se fecham

Com medo de temer, não mais que antes

 

Eloqüência inútil do eloqüente falastrão

É isso que choques de águas que derramadas

Faz nascer o que deve vir, com pena de morrer

 

E procurando e sonhando e sentindo o simples

Tão simples que abomina o simples

Tão alto que se esconde em cavernas

 

E sons fulguram as obras de acabadas obras

Que morrem antes mesmo de nascer

Que esquarteja a coruja que tece teias

 

Ah, serenidade e intensidade

Abertura dos corpos fechados

Sexo entre a inocência e a perversidade

 

E no egoísmo do sol

Abre as mãos e estende as mãos

E estende as mãos e sente frio

 

Não mais sonhará sonho vindouro

Faz e não sabe que o fazer

Não sabe que o fazer o faz....



Escrito por Marcel às 18h33
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Liberações

Deslumbra o calor que sopra

Dos ventos de celestes pazes

Confunde a água e o olho

Mirando calvas montanhas

 

E escuta o chamado de morte

E atira para cima de nuvens

Capa de barras e anseios

 

Como sobe e cai

E voa o pêndulo

Altivo escritor de acasos

 

E sons verdes e verdes

Atingem o receptáculo de...

 

Narinas inflamadas pelos véus

Que transparecem os abismos

Transponiveis num dançar

 

Gestos repletos

De fixos moventes

 

Vivos como verbos

Que fazem prazer

De ver, sentir...

 

Liberações de caminhar

Correr, dançar e voar...



Escrito por Marcel às 13h26
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Cheguei e sento

Escrevente junto ao sentir

Não saberei mais o tempo

Se duas ou meias horas

Se dezenas ou cem anos

Se lavei ou comi futuros

Se perderá dementes lembranças

Livrou-me de entranhas paredes

Achou-me vivendo o sol e o lago

Olhas o meu, teus olhos...



Escrito por Marcel às 00h28
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Indivisível

É o leito e a lenha que alimenta

O nascer do silvo desdenhado

Gritos e gemidos diluíveis

 

Indefinível

São os olhos de estátuas vigorosas

Paixão de ascos e regressos

Ventres e portas de dois sóis

 

Indescritível

É seu atirar de sorrisos

De abraço ao nascer

Mares e fazeres abandonados

 

Irresistível

O voar de algas roxas

O abrir de botões e de peles

O pulsar de alvos...

Vivos



Escrito por Marcel às 00h21
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Cinza aparece o horizonte que atrás ficou assustado com a morte iminente do amor pelo acaso que cria e desmente a fria e demente vontade de ter um poder de dar e assim tal calor não sentir não sei como o gelo que cerca seu corpo solar.

Escrito por Marcel às 21h46
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Chamado estéril

Em meio à roda que me leva ao acaso do destino

 

Me chamam...

 

De que?

Quem será aquele que me chama?

Quem será aquele que é chamado?

Do que será que é feito o que é chamado?

 

Pois ele é estranho a mim...

 

Não consigo ser chamado

Pois sou estranho à falta de intensidade

Sou estranho à falta de arbitrariedade

 

Mesmo assim, me chamam...

 

Quem sabe porque não são dignos

De empunhar sua espada contra mim.

Assim, simplesmente me chamam

Com suposta virtuosidade

 

E os ecos de seu chamado

Ecoam na minha doença

E voltam sempre a mim

Assim que os expulso

 

Tenho que superar aquele que da primeira vez ouviu ser chamado...

Escrito por Marcel às 17h10
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Sentir

Silvo que corta o estômago

Desejo que abre as narinas

 

E ainda me vejo obscurecido pelos propósitos vazios...

 

E quando

Existe um momento altivo

Aguardo o doce sabor do mel

 

E coloco a cabeça numa guilhotina, querendo...

 

Perdê-la

Eterno feminino, prostituta do acaso

Sentado a olhar o propósito cheio

 

E sinto uma esperança do pessimismo, graças...

 

Pele

Encostar na chama de águas

De olhos lindamente lúcidos

 

E descubro o caminho de terra, onde...

 

Pés

Sujos com a lama da vida

Inundam os palacetes da virtude

 

E vislumbro a criação superada...



Escrito por Marcel às 01h48
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Canções malditas

E senta num banco feito de pétalas postas pela mão da criação

E sente o cantar de uma águia que traz o ínfimo prazer

E cheira as folhas que se enrolam e se escondem no dançar

E olha a queda e o ocaso dos elementos da vida

 

Contempla a criação sem dono

A criação sem criador

Sente os espasmos de loucura

Tornando-o são

 

Mais são que um transeunte

Menos que uma ave

Mais que um escrevente

Menos que um dançarino

 

E se levanta para nada

E junta a sua criação

E a leva para casa

Para com ela brincar

Para com ela criar

Canções inauditas

Canções malditas

Escrito por Marcel às 13h50
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Véus que sofrem

Como língua de cobra

Feitiço fisiológico

Perverso como sexo

A controlar meu olho

Solitário que sobra

 

Espasmos de acalantos

Meigas frutas só vivem

A consolar a lua

Gelada como eu

Desejo de sentir

 

Tão grande mistério

Lábios que se escondem

Lábios que se esmeram

A rejeitar meus podres

 

Sentimentos vãos

Lágrimas de sol

 

Véus que atraem

 

Esconde o mistério

De conhecer fácil

Difícil em ermos

 

Véus que aparecem

 

No meio de nós

Ânsias de correr

Cair no encontro

 

Encontro com espasmos

Sexo e sentir

Esconder e atrair

Conhecer e querer



Escrito por Marcel às 00h51
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Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se inicie por inventá-las.

 

Assim fala o destruidor do Bem e do Mal.

Assim se inicia uma guerra que não aceita a paz senão como vitória.

Assim brigam todas as virtudes pelo comando do ser, para ao final se autodestruírem.

Assim se constróe um novo corpo, um corpo de prazer e de felicidade.

Assim as mais nobres esperanças trabalham em favor do mal.

Assim crescem as raízes que permitirão que se chegue às estrelas.

 

Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se inicie por inventá-las.

 

Criar a si mesmo para se fazer forte o bastante para lutar, para entender que as rodas da causalidade só servem aos ídolos que nos transformam em seres cinzentos.

 

Não quero mais viver em meio às nuvens cinzas, esfumaçadas, que turvam a beleza da força. Quero o sorriso como seta que se dispara ao amor.

 

Descobrir a própria alma num trabalho de criação de si mesmo: eis o que a terra quer. Não sejamos tolos o suficiente para desprezar a nossa única mãe. Não sejamos tolos o suficiente para desprezar o nosso único pai: aquele que canta as mais nobres desarmonias.

 

Criação: eis o que quer o poeta, o artista, o vivente, o que quer rejubilar-se.

 

Eis o que quero

Escrito por Marcel às 00h09
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Canto à ponte que atravessa o abismo

Vejo todos sorrirem

Demasiado contentes

Felicidade que transborda

 

Mas...

Tais sorrisos são de gelo

Sorrisos de gelo

Sorrisos gelados

 

E precisam de calor

E sofrem por calor

E só podem receber

Não têm nada a dar

 

Nunca sentiram a solidão do sol

Que sofre por não poder receber

Que sente todo o mais com frieza

 

São eles

Portadores nobres

Dos sorrisos de gelo

 

E riem de seu próprio fim

Da falta de virilidade

Da falta de prazer

Do baixo prazer

Da ilusão da dor

Do negativo

Destruidor

Pessimismo

 

Quisera eles fabricarem estrelas

Sorrirem plenos de tanta saúde

Sentindo um pessimismo que cria

 

Será que podem entender?

Será que sentem o seu frio?

 

Será que sonho um pesadelo?

 

Um dia poderei dizer:

 

Vejo todos sorrirem

Demasiado dementes

Felicidade criadora

 

Assim canto eu!!!

Escrito por Marcel às 23h09
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Caos de sobriedade

No meio do turbilhão de cores

Permaneço sentado no trono

Afastado daquele que fui

 

Jogo meu arado sobre terra

Trabalho criações sobre-humanas

A fim de resultar num sorriso

 

Amo aquela que nunca amarei

Que se havia perdido no tempo

Que surge do insano saber

 

Parado na ilha que flutua

Detido na certeza sem dono

No caos e na beleza da carne

 

Caço e como alimentos sadios

Formando um corpo de puro ouro

A superar a falsa saúde

 

Olhar que se fixa no horizonte

Andar e dançar na superfície

Festa do caminhar sem temor

 

Cores que seguem de modo ímpar

Tornando rei o diabo sóbrio

Sendo novamente uma criança  



Escrito por Marcel às 22h34
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